A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quarta-feira (12) que espera reverter, no prazo de três meses, a tendência de crescimento da epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC). Iniciado na província de Ituri, o surto atual avança mais rapidamente do que todas as epidemias anteriores da doença, segundo a agência da ONU.
O balanço mais recente da OMS contabiliza 4.449 casos confirmados e 2.061 mortes. O cenário é agravado pela atuação de grupos armados nas regiões afetadas e pela desconfiança de parte da população, fatores que têm dificultado a resposta à emergência sanitária.
“Se todos os componentes da resposta forem aplicados simultaneamente nas cinco zonas de transmissão, prevemos uma mudança de tendência dentro de três meses”, afirmou Abdirahman Mahamud, diretor do programa de alerta e resposta de emergência da OMS.
Reverter a tendência não significa o fim da epidemia
Apesar da previsão, a entidade pondera as expectativas. “Isto não significa, no entanto, que a epidemia vá terminar em três meses”, explicou a OMS.
Segundo a organização, mesmo depois de controlar a transmissão será necessário manter atividades de vigilância, preparação e resposta para garantir que o vírus não reapareça e que os avanços conquistados se consolidem. A duração real da epidemia, reforça a OMS, dependerá da evolução da transmissão e da eficácia das medidas adotadas no terreno.
Insegurança e desconfiança complicam a resposta
A epidemia atinge várias províncias do nordeste e do leste da RDC, regiões densamente povoadas, marcadas pela presença frágil do Estado e por infraestruturas de saúde amplamente desprovidas de recursos. A ação de grupos armados e a desconfiança das comunidades diante das equipes de saúde dificultam etapas centrais do controle do Ebola, como o rastreamento de contatos e os sepultamentos seguros.
A 17ª epidemia da história do Congo
Em 15 de maio, a RDC declarou sua 17ª epidemia de Ebola, com várias semanas de atraso em relação ao início efetivo dos contágios. Dois dias depois, a OMS declarou emergência de saúde pública de importância internacional, o segundo nível de alerta mais alto da organização.
“Nesta fase, é impossível determinar com precisão quando a epidemia começou. Segundo as estimativas, teria começado dois ou três meses antes da declaração da emergência”, disse Chikwe Ihekweazu, chefe do programa de gestão de emergências sanitárias da OMS. Diante da ausência de um imunizante específico para a cepa atual, a OMS chegou a propor testar no país uma vacina desenvolvida contra outra cepa do vírus.
O que é o Ebola e por que ele é tão letal
O Ebola é uma doença viral grave que afeta seres humanos e outros primatas. Transmitido pelo contato com sangue e fluidos corporais de pessoas infectadas — inclusive cadáveres —, o vírus provoca febre hemorrágica, com sintomas que começam com febre e dores no corpo e podem evoluir para vômito, diarreia e hemorragias. A taxa de mortalidade varia entre 50% e 90%.
Desde os primeiros registros, em 1976, o Ebola já matou mais de 15 mil pessoas na África. O tratamento disponível é sobretudo de suporte — hidratação e manutenção dos sinais vitais —, e a prevenção depende de isolamento, higiene hospitalar, uso de equipamentos de proteção individual e gestão adequada de cadáveres.
Com informações da Agência France-Presse (AFP).

Carlos Araújo
Especialista em tecnologia e fundador da SuaInternet.COM. Com sólida experiência em desenvolvimento de software e inteligência artificial, dedica-se a criar soluções de alta performance e sites otimizados que conectam marcas a resultados. Entusiasta de sistemas Linux e automação, partilha aqui análises técnicas e tendências do ecossistema digital.
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