Linux 7.2 é lançado com agendamento cache-aware, sistemas de arquivos até 87% mais rápidos e suporte a AMD Zen 6
Novo kernel chega no prazo após ciclo recorde com mais de 2.100 contribuidores; Ubuntu 26.10 será uma das primeiras distribuições a receber as novidades.
O kernel Linux 7.2 foi lançado oficialmente neste domingo (16) por Linus Torvalds, encerrando um ciclo de cerca de nove semanas de desenvolvimento e confirmando-se como a base das próximas distribuições, como o Ubuntu 26.10. A nova versão estreia o agendamento cache-aware (cache aware scheduling), uma onda de ganhos de desempenho em sistemas de arquivos como ext4, Btrfs e exFAT e suporte a novos hardwares, incluindo processadores AMD Zen 6 e adaptadores WiFi 7.
O ciclo também bateu recordes: segundo levantamento do LWN, mais de 2.100 contribuidores individuais participaram da release, e cerca de 5% dos commits carregam a tag “assisted-by”, indicando uso de inteligência artificial no desenvolvimento.
Agendamento cache-aware: Menos “cache bouncing”, mais desempenho
A principal novidade do kernel Linux 7.2 é o agendamento consciente de cache. Agora, o escalonador reconhece quais threads pertencem ao mesmo processo e prioriza mantê-las em núcleos que compartilham o mesmo cache, reduzindo o chamado “cache bouncing” — a re-fetch e sincronização custosa de dados entre núcleos diferentes.
Antes, o kernel balanceava a carga entre todos os núcleos sem verificar se threads em núcleos distintos compartilhavam memória. Para evitar que um único aplicativo monopolize o sistema, há salvaguardas: o escalonador evita mover threads adicionais quando o processo já consome mais de 25% do tempo de CPU ou mais de 33% da carga de um domínio de cache.
Os maiores beneficiados são CPUs AMD e Intel com múltiplos domínios de cache, e o ganho real varia conforme o processador e o tipo de carga de trabalho.
Pipes, memória e I/O até 30% mais rápidos
O kernel Linux 7.2 também ataca gargalos no “encanamento” do kernel. Uma correção de travamento (locking) nos pipes — o mecanismo por trás do “|” nos comandos de terminal — reduziu o tempo de retenção do lock durante escritas, resultando em saltos de desempenho de 6% a 28% e redução de latência de escrita de 5% a 22%, sobretudo sob pressão de memória.
No gerenciamento de memória, o refinamento do Multi-Generational LRU (MGLRU), algoritmo que decide o que é liberado quando a memória acaba, trouxe até ~30% de ganho em testes com MongoDB (YCSB), além de reduzir kills inesperados de OOM (out-of-memory).
ext4, Btrfs, exFAT e NTFS: O salto dos sistemas de arquivos
Para o usuário comum, algumas das mudanças mais perceptíveis estão nos sistemas de arquivos:
- ext4 (padrão do Ubuntu): o recurso “fast commit” foi liberado de contenção de locks e deadlocks sob uso pesado, com estatísticas agora expostas em
/proc/fs/ext4/*/fc_info. Uma correção compartilhada com o XFS na camada IOMAP rendeu ~5% em leituras aleatórias pequenas de 4K em NVMe com polling do io_uring. Já a busca em diretórios agora processa dados em blocos de 4 bytes, acelerando a procura em pastas “cheias”. - Btrfs: os large folios, experimentais desde o Linux 6.17, agora estão ativados por padrão, permitindo lidar com a memória em blocos maiores. O I/O direto deixou de ser serializado, com até 59% mais desempenho de escrita, e as gravações sequenciais avançaram 15%.
- exFAT: ao adotar o iomap, a velocidade de escrita saltou até 87% sob carga pesada — ótima notícia para quem usa cartões SD e pendrives.
- NTFS: suporte adequado a links simbólicos do Windows (com correção do bug que os fazia aparecer como arquivos de zero byte) e reforço contra corrupção de metadados em disco.
Mais hardware suportado: WiFi 7, Zen 6 e HDMI 2.1
No front de hardware, o kernel Linux 7.2 estreia suporte ao chip Realtek RTL8159, presente em muitos adaptadores USB Ethernet de 10 Gbps, e amplia o suporte “out of the box” a adaptadores WiFi 7 como Mercusys MA60XNB e NETGEAR NightHawk A8500. Chegam ainda novos drivers Realtek 8922AU/8922AE (incluindo Bluetooth) e suporte ao MediaTek MT7927 (Filogic 380), com WiFi 7 acima de 2 Gbps em 6 GHz e Bluetooth 5.4.
Para desktops, há novo monitoramento de temperatura e ventoinhas em placas ASUS e ASRock, como a ASRock Z890 Pro-A, além de driver para o controlador de fans da ARCTIC.
No lado do silício, o kernel traz suporte aos EPYC AMD Zen 6, suporte inicial a HDMI 2.1 FRL no AMDGPU, melhorias de desempenho para os gráficos Intel Arc B390, o protocolo USB4STREAM desenvolvido pela Intel e atualização de módulos runtime do Intel TDX sem reboot. Trabalho contínuo rumo ao WiFi 8 também faz parte da release.
O que saiu do kernel
Nem só de adições vive o kernel Linux 7.2: foram removidas mais de 13.000 linhas de código de emulação legacy de CPUs i486, um driver de placa gráfica Hercules com 40 anos de idade, o protocolo AppleTalk e drivers ARCnet ISA e PCMCIA. A função strncpy() foi definitivamente removida do kernel, e o AF_ALG, envolvido em problemas de segurança recentes, foi descontinuado.
O scheduler “fair” de GPU ficou de fora
Um dos recursos mais aguardados acabou ficando de fora: o scheduler de GPU mais “justo” foi revertido de última hora para o modelo FIFO (first-in, first-out) após relatos de regressões de desempenho em certas placas AMD. Segundo Torvalds, o código “não estava pronto”, e a tentativa deve retornar em ciclos futuros — os patches para corrigir a política “fair” já estão em preparação para o Linux 7.3.
“Não é bonito, mas é o jeito certo”, diz Torvalds
No anúncio da release, Linus Torvalds reconheceu que a última semana do ciclo foi maior do que gostaria — fenômeno que virou o “novo normal” na era da IA — e destacou os reverts de última hora:
“A última semana da release foi — mais uma vez — maior do que eu gostaria […]. Há vários reverts bem tardios — os reverts do escalonamento DRM se destacam, mas há outros. Pode não ser bonito, mas é a maneira correta de lidar com ‘ah, aquele código não estava pronto e causou problemas’. As pessoas vão tentar de novo mais tarde. Com isso, a janela de merge do 7.3 obviamente abre amanhã, e eu já tenho 40 pull requests pendentes”, escreveu Torvalds.
Quando o kernel Linux 7.2 chega ao seu computador
O kernel Linux 7.2 será a base do Ubuntu 26.10 e de outras próximas releases. Distribuições rolling, como Arch Linux e openSUSE Tumbleweed, devem receber o novo kernel em poucas semanas. Quem tiver pressa pode instalar o kernel mainline diretamente do Kernel.org — mas vale o lembrete: versões mainline são indicadas para testes e não substituem o kernel suportado pela sua distribuição.
Para verificar a versão atual do seu kernel, basta rodar o comando uname -r no terminal.

Carlos Araújo
Especialista em tecnologia e fundador da SuaInternet.COM. Com sólida experiência em desenvolvimento de software e inteligência artificial, dedica-se a criar soluções de alta performance e sites otimizados que conectam marcas a resultados. Entusiasta de sistemas Linux e automação, partilha aqui análises técnicas e tendências do ecossistema digital.
Tags:
Artigos Relacionados
AMDGPU Linux 7.2: Novas correções e melhorias no driver de vídeo AMD chegam ao Kernel
30 de maio de 2026
Kernel Linux 7.2 bloqueia ataques DoS e corrige falha de 20 anos no sistema de timers
18 de junho de 2026
Patch Tuesday maio 2026: AMD e Intel corrigem vulnerabilidades críticas em processadores Zen 2 e Arrow Lake no Linux
12 de maio de 2026