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O futuro do iRacing no Linux: Por que “permitir” é diferente de “oferecer suporte”

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Por SuaInternet.COM

25 de março de 2026

Para os entusiastas do automobilismo virtual, o iRacing é o ápice da simulação competitiva. No entanto, para a crescente comunidade de usuários de Linux, desfrutar dessa plataforma tem gerado longas discussões, incluindo um tópico de fórum com mais de 60 páginas que, infelizmente, muitas vezes se perdeu em negatividade e premissas incorretas. A verdadeira questão que precisamos analisar não é se o iRacing deve dedicar recursos massivos ao Linux, mas sim se a desenvolvedora deve simplesmente permitir que o jogo funcione.

A Crucial Diferença Entre “Oferecer Suporte” e “Suportar”

Até mesmo os maiores defensores do pinguim concordam em um ponto: é uma má ideia o iRacing “oferecer suporte” oficial ao Linux. Fornecer suporte técnico implica em lidar com uma quantidade esmagadora de distribuições (como sistemas baseados em Arch ou CachyOS), configurações de hardware e métodos de compilação, criando um fardo financeiro e de tempo insustentável para a equipe.

No entanto, há uma grande diferença semântica entre “oferecer suporte” e apenas “suportar” (ou permitir). O iRacing não precisa de uma equipe dedicada ou documentação complexa; “suportar” pode significar apenas marcar uma caixa nas configurações de compilação do jogo. Curiosamente, a desenvolvedora já fez isso no passado: entre 2015 e 2017, a plataforma era compatível com o Linux através de um prefixo do WINE empacotado pela própria equipe. Segundo David Tucker, membro da equipe, essa compatibilidade não foi abandonada pelo baixo número de usuários (que era inferior a 1%), mas sim porque o jogo fez a transição do DirectX 9 para o DirectX 11 em sistemas x64.

O Bloqueio Atual: Apenas Um Arquivo Faltando

Nós sabemos com certeza que o iRacing funciona de forma brilhante no Linux. Com o incrível trabalho da Valve no Proton (uma robusta camada de compatibilidade), é possível rodar o simulador com desempenho excelente, utilizando três telas e hardwares avançados como volantes Logitech G29 e pedais Fanatec V3. Graças ao trabalho da comunidade, como o do usuário JacKeTUs no GitHub, a maior parte do hardware funciona diretamente no núcleo (kernel) do sistema. Softwares complementares essenciais também rodam perfeitamente, incluindo o Garage61 (que foi desenvolvido no próprio Linux por Ruben Vermeersch), Trading Paints e CrewchiefV4.

No entanto, tudo parou de funcionar com a atualização de 09/09/2025. O Epic Online Services (EOS) foi atualizado para um processo que verifica os arquivos antes de carregar o jogo. Hoje, a única coisa que impede o iRacing de rodar no Linux resulta em um erro 403 (acesso negado), simplesmente porque um arquivo específico do anti-cheat não existe. Esse arquivo não existe porque os desenvolvedores do iRacing não selecionaram a opção em um menu suspenso para compilar o módulo Linux do EOS.

O Mito da Insegurança do Anti-Cheat no Linux

Uma preocupação comum é a de que habilitar o EasyAntiCheat (EAC) ou o EOS no Linux seria inseguro, pois ele rodaria apenas no “espaço de usuário” (user space) através da camada do Proton. Essa preocupação é infundada.

Veja como a segurança realmente funciona:

  • Integração do Proton: O Proton conecta o cliente EAC do Windows a um cliente EAC nativo do Linux, permitindo que eles se comuniquem perfeitamente sem a necessidade de um driver invasivo no núcleo do Linux.
  • O Kernel não é a Linha de Frente: As trapaças geralmente visam o processo do jogo, a memória ou a camada de rede, que são monitorados no espaço de usuário.
  • Autoridade do Servidor: A verdadeira segurança do iRacing não depende do sistema operacional do cliente, mas sim de um estado autoritário do lado do servidor. É o servidor que dita a velocidade, as colisões e a posição, validando os dados e tornando inviável que um usuário altere livremente o resultado da corrida.

O Mercado Está Mudando

Enquanto no passado os usuários de Linux representavam cerca de 0,6% do mercado, o cenário atual é bem diferente. Impulsionado em parte pelo sistema do Steam Deck e por frustrações com sistemas concorrentes, a base de usuários de Linux cresceu para cerca de 4% a 5% nos EUA e em grandes países da União Europeia, e continua crescendo.

O Poder da Escolha

O iRacing tem a oportunidade de habilitar o módulo Linux do EOS com um esforço mínimo, devolvendo aos jogadores a liberdade de escolha. A comunidade não exige suporte técnico dedicado, apenas que o jogo seja “permitido”.

Se você apoia a ideia de ter o maior simulador de corridas disponível também para Linux, deixe um comentário na comunidade demonstrando seu apoio (o que tem muito mais peso do que apenas um botão de “curtir”) e compartilhe suas razões para preferir acelerar no pinguim!

Carlos Araújo

Carlos Araújo

Especialista em tecnologia e fundador da SuaInternet.COM. Com sólida experiência em desenvolvimento de software e inteligência artificial, dedica-se a criar soluções de alta performance e sites otimizados que conectam marcas a resultados. Entusiasta de sistemas Linux e automação, partilha aqui análises técnicas e tendências do ecossistema digital.

Tags:

#iRacing#Linux

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