O aplicativo de clima nativo do Windows 11 virou alvo de uma nova polêmica sobre consumo de recursos. Depois de um relatório do site Windows Latest revelar que o programa pode ultrapassar 1,2 GB de RAM apenas para exibir a previsão do tempo — cerca de cinco vezes a memória usada pelo app equivalente no macOS, o blog OMG! Ubuntu realizou seus próprios testes e confirmou o exagero: na máquina do avaliador, o app da Microsoft consumiu 918 MB, enquanto alternativas no Linux fizeram o mesmo trabalho com até seis vezes menos memória.
Quanto cada app de clima consome de RAM
No teste do OMG! Ubuntu, feito em um notebook modesto (Intel m3-8100y com 8 GB de RAM), o consumo foi medido durante o uso ativo, com média de três execuções:
| Aplicativo | Sistema operacional | Memória (média) |
|---|---|---|
| Microsoft Weather | Windows 11 | 918 MB |
| Mousam | Ubuntu 26.04 LTS | 290 MB |
| Typhoon | Ubuntu 26.04 LTS | 240 MB |
| GNOME Weather | Ubuntu 26.04 LTS | 160 MB |
| Apple Weather | macOS 13.7.8 (Intel) | 90 MB |
| Apple Weather | macOS 26 (ARM) | 250 MB |
O autor ressalva que não se trata de um teste científico: cada sistema gerencia memória de forma diferente e os apps têm conjuntos de recursos distintos. Ainda assim, a disparidade chama atenção — em PCs com 8 GB de RAM, o app da Microsoft pode consumir sozinho mais de 15% da memória disponível.
Por que o app do Windows 11 é tão pesado?
A explicação está na arquitetura. Assim como outros apps da Microsoft, o Weather não é construído em WinUI nativo, mas em WebView2 — ou seja, funciona como um “wrapper” web renderizado pelo motor Chromium do Microsoft Edge. Some-se a isso a presença de anúncios e até nove subprocessos em execução, e o resultado é um consumo que oscila fortemente conforme o conteúdo carregado, chegando a mais de 1 GB de RAM desperdiçada, como também apontou o NotebookCheck. Os painéis de notícias e clima da barra de tarefas, que usam a mesma base, já haviam sido criticados pelo mesmo motivo.
“Falta de cuidado”, não superioridade do Linux
Para o OMG! Ubuntu, o dado mais relevante não é o Linux sair vitorioso — isso apenas conforta vieses de confirmação. O verdadeiro problema é a intenção: os números mostram que a Microsoft “não se importa o suficiente para tentar” otimizar. “A Microsoft prefere entregar uma aba de navegador com anúncios para engordar o próprio bolso a construir um app otimizado que respeite o usuário e o hardware dele”, conclui o artigo — um motivo para migrar de sistema muito mais convincente do que qualquer benchmark.
O que isso significa para o usuário
Em notebooks simples, cada gigabyte de RAM ocupado por um app de previsão do tempo faz falta em multitarefa, navegação e jogos leves. Enquanto a Microsoft não substitui seus wrappers web por apps nativos, usuários do Windows podem recorrer a alternativas leves no navegador ou migrar para soluções enxutas — no Linux, apps como GNOME Weather, Mousam e Typhoon entregam a mesma informação com uma fração da memória.

Carlos Araújo
Especialista em tecnologia e fundador da SuaInternet.COM. Com sólida experiência em desenvolvimento de software e inteligência artificial, dedica-se a criar soluções de alta performance e sites otimizados que conectam marcas a resultados. Entusiasta de sistemas Linux e automação, partilha aqui análises técnicas e tendências do ecossistema digital.
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