No dia 1º de fevereiro de 2026, o TSE aprovou um pacote abrangente de regras para combater o uso de deepfakes nas eleições de 2026. O manual permite conteúdo gerado por IA, desde que não retrate indivíduos cometendo crimes e que o uso de ferramentas digitais seja claramente indicado. As restrições mais rígidas aplicam-se à circulação de material alterado entre 72 horas antes e 24 horas após a votação, período crítico para evitar que falsificações influenciem indevidamente o eleitorado.
O caso que antecedeu a aprovação das regras ilustra a crescente ameaça dos deepfakes: o deputado Rogério Correia (PT-MG) publicou uma imagem gerada por IA mostrando Jair Bolsonaro ao lado de Daniel Vorcaro e Roberto Campos Neto. A imagem, que retratava um encontro que nunca aconteceu, foi vista por mais de 46 mil usuários antes de ser excluída. Este episódio, que afetou cerca de 137 casos de autoridades circulando nas redes sociais entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, demonstra a escala do problema. Mais da metade dos deepfakes foi veiculada no Instagram, e apenas um quarto indicava o uso de IA na produção.
Apesar das novas regras, especialistas apontam que falta estrutura e poder de fiscalização ao TSE. A popularização da tecnologia de deepfakes representa um desafio significativo, com serviços acessíveis que permitem a criação de conteúdos falsos. Apenas 51% dos internautas checam informações online, e esse número cai para 37% entre usuários de celular. A falta de letramento digital no Brasil, com 25% da população considerada analfabeta digital, agrava a situação, tornando o combate à desinformação uma batalha que está apenas começando.

Carlos Araújo
Especialista em tecnologia e fundador da SuaInternet.COM. Com sólida experiência em desenvolvimento de software e inteligência artificial, dedica-se a criar soluções de alta performance e sites otimizados que conectam marcas a resultados. Entusiasta de sistemas Linux e automação, partilha aqui análises técnicas e tendências do ecossistema digital.