Apple tenta contra-atacar Android com iPhone ‘barato’, mas chega tarde

No mesmo ano em que Steve Jobs e a Apple revolucionavam o mundo dos celulares, ao lançarem com estardalhaço o primeiro iPhone, o Google ainda engatinhava em estratégia móvel quando adquiriu silenciosamente uma pequena empresa de software que desenvolvia sistemas para celulares, chamada Android. Seis anos se passaram e, com 80% dos aparelhos no mundo, o Android domina o mercado mundial de smartphones, que a Apple inventou, mas já não dá mais as cartas.

Exemplo da corrida às avessas disputada pela empresa é o lançamento do iPhone 5C nesta terça-feira (10), que chega ao mercado dos Estados Unidos por a partir de US$ 100. Pela primeira vez em sua história, a Apple cria um aparelho que não é voltado para consumidores com alto poder aquisitivo.

Pode parecer exagero atribuir a um sistema operacional toda a guinada na estratégia de uma fabricante. Mas com o Android, o Google não só arma os concorrentes da Apple como também molda no inconsciente coletivo uma ideia do que é ser um smartphone. O plano para isso é maciço: são 60 fabricantes que utilizam o sistema, mas de 329 operadoras possuem celulares com ele instalado, em 169 países. E mais: o sistema tem código aberto. Ou seja, qualquer empresa que quiser desenvolver a sua versão pode. Até as iniciativas mais inusitadas de criar um smartphone possuem um Android embarcado.

Desvantagem natural
Naturalmente em desvantagem por contar com apenas um modelo, a Apple viu a distância para alcançar o Android aumentar rápido –muito rápido. Entre o segundo trimestre de 2012 e o mesmo período de 2013, o sistema do Google cresceu 73,5%, de 108 milhões para 187,4 milhões de aparelhos no mundo, de acordo com dados da consultoria IDC. Não que a Apple não tivesse crescido. Cresceu: 20%, e chegou a 31,2 milhões de aparelhos. Mas não foi suficiente pra barrar o avanço Android, que chegou a 80% do mercado.

Além do plano do Google de disseminar o máximo possível, muito desse avanço do Android se deve ao ímpeto da fabricante sul-coreana Samsung. “A Samsung é quem é no mundo dos smartphones –líder de mercado– justamente por ter um amplo portfólio. Cada faixa de preço tem pelo menos um produto da Samsung, quando não dois, três”, explica Leonardo Munin, analista da IDC.

Outro fator ajuda a explicar a disparada. O avanço dos smartphones ocorre principalmente devido ao movimento dos mercados emergentes, que representam 66% das vendas, diz Munin. Câmera de altíssima resolução? Telas com nitidez impressionante? Processador e memórias capazes de executar diversas funções? Pode até ser. Mas o que importa para os consumidores desses países é o preço.

Mercado dominado
No Brasil, conta Munin, 74% das vendas de smartphones foi de aparelhos que custavam menos de R$ 700. Nessa faixa, a Apple não penetra nem com os modelos antigos.

“O mercado onde a Apple atua é muito pequeno. Com o iPhone 5 especificamente, representa menos de 5% [do mercado]”, diz o analista. Para ele, o lançamento de um aparelho mais barato visa sobretudo atingir os mercados chinês e brasileiro, dois dos mais efervescentes –foi no 2º trimestre que os smartphones venderam mais unidades do que os celulares tradicionais pela primeira vez no país.

“É positivo para o consumidor e para o mercado, que está super preso ao Android, porque 90% dos smartphones são desse sistema(…) É bom para dar dinamismo, gerar mais competência e mais concorrência. E que isso venha trazer produtos melhores e preços menores, o que está acontecendo com a Apple agora”, diz Munin. Mas em seguida ressalva: “Mas tem que ver qual vai ser o preço que a Apple vai trazer, porque o barato da Apple, a gente sabe que não é o nosso barato, nem o tão barato quanto a gente espera”.

“A gente tinha uma expectativa boa de que o iPad mini viria com um preço atrativo e não veio.” Pois é, tanto é que o aparelho chegou ao Brasil com o maior preço no mundo entre as lojas da companhia.

Ainda que concentre esforços nos países emergentes, em alguns deles, a estratégia de descer da numerada para a geral pode ser tardia. No Brasil, por exemplo, o jogo está quase ganho: 90% de todos os smartphones vendidos no país no segundo trimestre rodavam alguma das versões do Android.

Fonte: G1


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