O OpenAPV, implementação de referência open source do codec Advanced Professional Video (APV), chegou à versão 1.1.1 em 15 de setembro de 2026. É a primeira release da linha 1.x do projeto e também a mais significativa desde o seu lançamento, trazendo decodificação baseada em PBU, novos perfis com tiles menores, suporte a alocador de memória customizado e otimizações para processadores x86 (AVX2) e ARM (NEON).
A atualização sucede a versão 0.3.0. O salto aparentemente abrupto na numeração segue o esquema de versionamento do próprio projeto, no formato APISET.MAJOR.MINOR.PATCH, em que o primeiro componente representa o conjunto de APIs — e não um “major” de versionamento semântico tradicional.
“As versões do OpenAPV são APISET.MAJOR.MINOR.PATCH. O primeiro componente é o API set, não um major de versionamento semântico. v0.3.0.0 foi a última release do API set 0; esta é a primeira release que carrega o API set 1. O API set 0 permanece inalterado e totalmente suportado. Nada foi removido”, explica o anúncio oficial da release.
Na prática, isso significa que aplicações que já usam o OpenAPV em produção não perdem compatibilidade ao migrar para a nova linha.
Decodificação por PBU: O coração da atualização
A principal novidade do API set 1 é a decodificação baseada em PBU, as unidades individuais que compõem o bitstream do APV. Em vez de decodificar uma unidade de acesso inteira em uma única chamada, o aplicativo agora pode percorrer o fluxo de bits PBU a PBU e decidir o que fazer com cada uma, por meio de sete novos pontos de entrada na API — entre eles oapvd_decode_tiles() e oapvd_decode_metadata().
É isso que torna a decodificação parcial muito mais barata: cada tile recebe um buffer dimensionado para o próprio tile, e não para o quadro completo. Clientes orientados a viewport — como um editor exibindo apenas um recorte de um material 8K — alocam memória somente para os tiles necessários. Combinada ao mapeamento de memória da unidade de acesso, a abordagem faz com que apenas as páginas dos tiles selecionados sejam lidas do disco. Metadados como HDR10 também podem ser extraídos diretamente dos PBUs dedicados.
Perfis UNCONST: Tiles menores, mais paralelismo
O OpenAPV 1.1.1 adiciona sete novos perfis da extensão “UNCONST”, sem as restrições de particionamento de tiles da RFC 9924: 422-10-UNCONST, 422-12-UNCONST, 444-10-UNCONST, 444-12-UNCONST, 4444-10-UNCONST, 4444-12-UNCONST e 400-10-UNCONST. Tiles menores significam mais paralelismo em CPUs multicore e GPUs, além de decodificação parcial mais fina e eficiente.
Memória sob controle e ganhos de desempenho
Outra adição relevante é o suporte a alocador de memória customizado: os descritores de codificador e decodificador ganharam o campo ops_mem, que permite apontar para um alocador próprio e manter o codec fora do heap da biblioteca C — algo valioso em aplicações profissionais e ambientes embarcados com gestão rígida de memória.
No fronte do desempenho, a release inclui novas implementações AVX2 e NEON da rotina oapv_blk_to_pic_16(), uma nova rotina NEON oapv_dc_removed_had8x8(), escalonamento de tiles agora linear (antes quadrático), limpeza dos kernels SIMD e a remoção de uma thread ociosa do pool do codificador.
Correções, robustez e empacotamento
A versão 1.1.1 também corrige a divergência de hash MD5 de quadros em sistemas big-endian (s390x), deriva os limites de QP da profundidade de bits codificada (em vez de um valor fixo de 10 bits), endurece a validação de entradas em codificador, decodificador e biblioteca, e passa a distribuir tarballs assinados com Sigstore. O buffer de bitstream agora é dimensionado pela resolução, e não por um valor fixo de 128 MiB, e a CI do projeto passou a construir e testar também em ARM64 e s390x.
O que é o APV, o codec profissional por trás do OpenAPV
Para quem chega agora: o Advanced Professional Video (APV) é um codec de vídeo royalty-free desenvolvido pela Samsung e padronizado pelo IETF na RFC 9924. Projetado como codec intermediário (mezzanine) para gravação, edição e masterização — e não para distribuição final —, ele usa codificação exclusivamente intra-frame, com qualidade perceptivelmente sem perdas, suporte a resoluções de até 8K em tempo real, amostragens de croma de 4:0:0 a 4:4:4:4 e profundidades de 10 a 16 bits. Na prática, posiciona-se como alternativa aberta a formatos intermediários consagrados, como Apple ProRes e Avid DNxHR, e já aparece em fluxos de vídeo mobile da própria Samsung.
O OpenAPV é a implementação de referência do padrão e é hospedado pela Academy Software Foundation (ASWF), mesma entidade que abriga projetos como OpenEXR e OpenColorIO.
Disponibilidade
Os downloads, o changelog completo e a documentação do OpenAPV 1.1.1 estão disponíveis no GitHub, no repositório oficial da Academy Software Foundation.

Carlos Araújo
Especialista em tecnologia e fundador da SuaInternet.COM. Com sólida experiência em desenvolvimento de software e inteligência artificial, dedica-se a criar soluções de alta performance e sites otimizados que conectam marcas a resultados. Entusiasta de sistemas Linux e automação, partilha aqui análises técnicas e tendências do ecossistema digital.