Dados apresentados por Greg Kroah-Hartman mostram salto de 500 para quase 2.000 vulnerabilidades corrigidas por versão; maioria é de baixa prioridade.
O número de vulnerabilidades corrigidas a cada versão do kernel Linux cresceu em ritmo acelerado nos últimos ciclos de desenvolvimento. Onde o projeto costumava registrar cerca de 500 CVEs (Common Vulnerabilities and Exposures) por lançamento, agora a marca se aproxima de 2.000 — um patamar que pode ser ultrapassado já no Linux 7.3. Os números foram antecipados pelo mantenedor Greg Kroah-Hartman, em um teaser de sua palestra no Kernel Recipes 2026, evento marcado para 21 a 23 de setembro, em Paris, na França.
Segundo apuração, o salto está diretamente ligado à proliferação de modelos de inteligência artificial e grandes modelos de linguagem (LLMs) usados para analisar o código-fonte do kernel, que hoje soma cerca de 40 milhões de linhas.
De 500 a quase 2.000 CVEs por versão
No slide compartilhado por Kroah-Hartman, a curva de CVEs por lançamento mostra uma inflexão clara. Do Linux 6.9 ao Linux 6.19, o projeto manteve uma média próxima de 500 CVEs corrigidos por versão. A partir do Linux 7.0, o patamar saltou para mais de 1.000. No Linux 7.2, ultrapassou 1.500 — e, mantido o ritmo atual de descobertas assistidas por IA, o Linux 7.3 deve ser o primeiro a romper a barreira das 2.000 vulnerabilidades.
IA vasculha o kernel — e encontra até bugs antigos
Modelos de linguagem conseguem cruzar volumes massivos de código em pouco tempo, identificando padrões de falhas de memória, condições de corrida e erros de validação que passaram despercebidos por anos. O efeito é uma enxurrada de reportes à equipe de segurança do kernel, incluindo falhas antigas em drivers obscuros que jamais haviam sido auditadas em profundidade.
Risco real é baixo, mas limpeza de código é real
Apesar do volume impressionante, a maior parte dos CVEs identificados é de baixa prioridade, concentrada em código antigo ou pouco utilizado, com impacto mínimo na segurança do usuário final. Ainda assim, o excesso de reportes — muitos gerados automaticamente — teve um efeito colateral positivo: a remoção acelerada de código obsoleto do kernel, reduzindo a superfície de ataque em vez de manter legado que ninguém consegue revisar.
O que muda para usuários e distribuições
Na prática, a recomendação não muda: manter sistemas e distribuições atualizados, com atenção especial aos kernels estáveis. O aumento de CVEs reflete menos uma piora na segurança do kernel e mais a nova capacidade de “enxergar” falhas antigas em uma base de 40 milhões de linhas — onde ainda há muito trabalho pela frente para a IA e para os mantedores. Os dados completos serão apresentados por Kroah-Hartman no Kernel Recipes 2026.

Carlos Araújo
Especialista em tecnologia e fundador da SuaInternet.COM. Com sólida experiência em desenvolvimento de software e inteligência artificial, dedica-se a criar soluções de alta performance e sites otimizados que conectam marcas a resultados. Entusiasta de sistemas Linux e automação, partilha aqui análises técnicas e tendências do ecossistema digital.