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Caso Master: Auditoria da Cedae revela que Diego Maciel articulou R$ 200 milhões após jantar de Castro com banqueiro em NY

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Por SuaInternet.COM

8 de junho de 2026

Relatório aponta que ex-superintendente do Banco Master participou de reunião na estatal cinco dias após encontro em Nova York; prejuízo ultrapassa R$ 222 milhões

Um novo personagem ganha destaque nas investigações sobre os investimentos milionários da Cedae no Banco Master: Diego Maciel de Menezes Silva, ex-superintendente comercial do banco no Rio de Janeiro. Segundo auditoria interna da companhia estadual de águas e esgoto, Maciel participou de reunião estratégica em 17 de maio de 2023 com a Diretoria Financeira da Cedae – apenas cinco dias após o então governador Cláudio Castro (PL) jantar com o banqueiro Daniel Vorcaro em Nova York, em encontro custeado pelo próprio Master com conta superior a R$ 60 mil.

O relatório da auditoria, obtido com exclusividade por veículos de imprensa, revela uma sequência de eventos que resultou em prejuízo de R$ 222 milhões aos cofres da estatal carioca. No total, o governo Cláudio Castro autorizou R$ 4 bilhões em investimentos no Banco Master, incluindo aportes do Rioprevidência e da própria Cedae.

Cronologia das irregularidades

A investigação interna da Cedae aponta que o Banco Master não cumpria os requisitos da política de investimentos da empresa quando começaram as tratativas para o aporte de R$ 200 milhões. Mesmo assim, a estatal modificou suas normas internas meses depois para permitir as aplicações na instituição financeira.

Segundo documentos apurados, a instituição tinha classificação de risco inferior à exigida e era avaliada por apenas uma agência de rating. A auditoria constatou que, logo após o relatório de julho de 2023 apontar essas irregularidades, a política de investimentos foi alterada para aceitar exatamente o perfil do Banco Master.

“Apenas dois meses antes, os mesmos documentos atestavam a inelegibilidade do Banco Master frente à política vigente”, afirma o relatório citado pelo G1.

Reuniões secretas e mudanças estratégicas

A auditoria revelou que as negociações começaram antes do informado oficialmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Enquanto a versão encaminhada ao órgão regulador afirmava que o primeiro contato ocorreu em 27 de junho de 2023, registros internos mostram que representantes do Master já estavam na sede da Cedae em 17 de maio de 2023.

Entre os participantes do lado do banco estava Diego Maciel, identificado como superintendente comercial, e do lado da Cedae, o então diretor financeiro Antonio Carlos dos Santos, que atuou como anfitrião do encontro.

Além disso, documentos apontam que Antonio Carlos dos Santos e seus assessores viajaram para São Paulo em junho e julho de 2023 para se encontrar com Maurício Quadrado, sócio e co-CEO do Banco Master na época.

Em setembro de 2023, o conselho de administração da Cedae aprovou mudanças na política de investimentos, incluindo:

  • Redução das exigências relativas às agências de rating
  • Criação de nova faixa de risco aceitando instituições classificadas entre BBB+ e BBB
  • Flexibilização que permitiu o enquadramento do Banco Master

“Articulação governamental que ultrapassou limites”

A auditoria interna é categórica ao afirmar que os investimentos seguiram “táticas idênticas” às do Rioprevidência e envolveram “articulação governamental que ultrapassou os limites da própria Cedae”. O relatório aponta indícios de:

  • Negligência
  • Dolo sistêmico
  • Fraude
  • Risco ao patrimônio da empresa

As negociações eram mediadas por um grupo restrito da Diretoria Financeira, sem compartilhamento adequado com outras áreas da companhia. Quando outras diretorias passaram a ter conhecimento da operação, começaram a surgir alertas internos sobre o risco financeiro e a exposição excessiva da Cedae.

Prejuízo consumado e liquidação do banco

Em 2025, diversas áreas da Cedae alertaram sobre a deterioração da situação financeira do Banco Master e buscaram formas de reduzir a exposição da companhia. No entanto, a diretoria financeira demorou a agir mesmo com o agravamento do cenário.

A estatal tentou recuperar os recursos em setembro de 2025, mas o banco já enfrentava graves problemas e propôs parcelar a devolução do valor. Em novembro, Antonio Carlos dos Santos se reuniu com Daniel Vorcaro para tentar uma reparação financeira, sem sucesso.

Após o não pagamento de uma das parcelas em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, concretizando o prejuízo de mais de R$ 222 milhões para a Cedae.

Castro nega qualquer relação

Questionado sobre as irregularidades, Cláudio Castro negou qualquer participação nas decisões de investimento da Cedae. Em nota, o ex-governador afirmou que “o governador do Estado não participa da política de investimentos da Cedae” e destacou que a companhia é uma empresa de capital aberto com governança própria.

“Não procede a tentativa de relacionar reunião citada com investimentos posteriores da Cedae”, disse Castro, classificando como “falsa” a vinculação entre o jantar em Nova York e as decisões de investimento.

Segundo a nota, as mudanças na política de investimentos passaram por todas as instâncias internas, incluindo análise técnica, parecer jurídico, avaliação de compliance, deliberação da diretoria, Comitê de Auditoria, Conselho Fiscal e aprovação pelo Conselho de Administração.

Diretores se defendem

Antonio Carlos dos Santos, diretor financeiro da Cedae entre outubro de 2022 e março de 2026, repudiou veementemente as alegações de omissão de informações. Em nota, ele destacou que o conselho acompanhava todo o processo e recebia relatórios mensais detalhados.

O ex-diretor ainda ressaltou que o atual presidente da Cedae, Rafael Rolim, e seu chefe de gabinete, Jorge Luiz Ferreira Briard, integravam o conselho de administração na época das aprovações e “examinaram, acompanharam, fiscalizaram e aprovaram formalmente os parâmetros das novas instruções da Política de Investimentos”.

“Toda a minha vida profissional sempre foi pautada pela seriedade, ética, lisura e estrita responsabilidade técnica”, afirmou Santos.

Encaminhamentos

O relatório da auditoria foi enviado pelo presidente da Cedae, Rafael Rolim, ao governador em exercício, desembargador Ricardo Couto. A Diretoria Executiva recomendou o compartilhamento do documento com:

  • Tribunal de Contas do Estado (TCE)
  • Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ)
  • Procuradoria Geral do Estado
  • Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

A Polícia Federal já investiga o caso e, com o avanço das apurações, o nome de Diego Maciel tende a aparecer com mais frequência nas próximas fases da investigação sobre os R$ 4 bilhões autorizados pelo governo Cláudio Castro em investimentos no Banco Master.

Carlos Araújo

Carlos Araújo

Especialista em tecnologia e fundador da SuaInternet.COM. Com sólida experiência em desenvolvimento de software e inteligência artificial, dedica-se a criar soluções de alta performance e sites otimizados que conectam marcas a resultados. Entusiasta de sistemas Linux e automação, partilha aqui análises técnicas e tendências do ecossistema digital.

Tags:

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